Torres García, um versátil artista uruguaio

Mesmo pesquisando pontos essenciais e traçando rotas, nem sempre contemplamos todos os lugares bacanas que uma cidade tem a nos oferecer. É por isso que precisamos estar disponíveis para encontros inesperados, com os olhos curiosos para conhecer mais sobre a cultura e história dos nossos destinos! Foi assim que encontramos o Museu Torres García, localizado na Ciudad Vieja de Montevidéu (Uruguai). A placa no meio do calçadão nos convidou e nós aceitamos a proposta de mergulhar na obra de um dos artistas mais célebres do nosso país vizinho, e ainda bastante desconhecido entre os brasileiros.

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Descobrimos o museu no meio do calçadão do centro histórico | Foto Scheyla Horst

O museu homenageia Joaquín Torres García (1874-1949), um famoso pintor, escultor, escritor, crítico de arte e professor uruguaio que teve amplo destaque internacional. A estrutura física é antiga, pois o museu foi fundado em 1949, logo após a morte do pintor.

Visitamos o Museu Torres García durante uma tarde, com apenas alguns momentos de descanso nos bancos espalhados pelo prédio. Deu para ver um pouco de cada período artístico e também desvendar detalhes sobre sua trajetória.

Já na entrada, uma lojinha vende produtos que se inspiram nas peças de Torres García, disponibilizando vários itens interessantes, como objetos decorativos, reproduções, acessórios e livros de arte e cultura.

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Hall de entrada do Museu Torres García | Foto Scheyla Horst

Além de preservar o trabalho do artista, a instituição promove exposições itinerantes para divulgar a obra pelo mundo todo. Peças de sua autoria já estiveram, por exemplo, no Museu Picasso e no Museu Nacional de Arte da Catalunha, ambos na Espanha.

Em Paris, no Centre Pompidou, há várias reproduções das obras de Torres García. Percorrendo as salas deste museu de arte moderna, de repente você vai perceber que as obras começam a se tornar familiares. Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Torres García estão nas salas de um dos museus mais visitados da capital francesa.

Sempre que estamos em outro continente, tudo o que nos aproxima do nosso contexto nos deixa saudosistas. É esse sentimento que transborda ao ser surpreendido, em Paris, pelas obras de Torres García. O artista viveu na cidade de 1926 a 1932, antes de regressar à terra natal.

A obra “Pez” utiliza estruturas retangulares e chama a atenção dos visitantes do Centre Pompidou. Essa é uma das imagens que temos gravada na mente logo quando pensamos no trabalho de Torres García. Ele defendia que a arte não deveria imitar a realidade, mas atingir o transcendental/espírito. A natureza era a sua maior fonte de inspiração.

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Reprodução de obras de Torres García, Centre Pompidou – Paris, França | Foto Francielli Campiolo

Mas quem foi Torres García?

Nascido em Montevidéu em 1874, Joaquín Torres García foi para Barcelona (Espanha) aos 17 anos, onde viveu por três décadas. Assim, teve sua formação artística na Europa, e lá ganhou destaque, mantendo contato com várias personalidades mundiais. Neste meio tempo, ele morou durante dois anos em Nova Iorque (1920 a 1922), produzindo obras em escala industrial para sustentar a família.

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Joaquín Torres García viveu em Nova Iorque de 1920 a 1922 | Foto Francielli Campiolo

Depois de uma crescente vertiginosa como artista, Torres García retornou ao Uruguai, nos anos 1930, estabelecendo um conceito próprio de Arte, chamado “Universalismo Construtivo”.

Dessa maneira, fundou uma escola pictórica uruguaia que possui identidade própria: La Escuela del Sur, considerado um consistente movimento artístico do século XX. Confira uma descrição interessante, escrita pelo próprio Torres García:

“He dicho Escuela del Sur, porque en realidad, nuestro norte es el Sur. No debe haber norte, para nosotros, sino por oposición a nuestro Sur. Por eso ahora ponemos el mapa al revés, y entonces ya tenemos justa idea de nuestra posición, y no como quieren en el resto del mundo. La punta de América, desde ahora, prolongándose, señala insistentemente el Sur, nuestro norte.”

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“Então agora vamos colocar o mapa de cabeça para baixo”: representação da Escola do Sul | Reprodução de Torres García, tinta sobre papel, 1943.

Tradução livre:

“Eu disse Escola do Sul , porque, na realidade , o nosso norte é o Sul . Não deve haver norte para nós, mas por oposição ao nosso Sul . Então agora vamos colocar o mapa de cabeça para baixo, e então nós temos uma boa ideia de nossa posição , e não como eles querem no mundo. A ponta da América, a partir de agora , estendendo-se insistentemente apontando Sul , o nosso norte”.

Serviço

O Museu Torres García está localizado na Peatonal Sarandí, 683, e abre de segunda-feira a domingo. Embora funcione num prédio antigo e repleto de escadas, o museu conta com elevador para aquelas pessoas que necessitam, sendo acessível. É bom checar os valores antes do passeio, no próprio endereço eletrônico da instituição.

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Bienvenidos ao Museu Torres García | Foto Francielli Campiolo

Links Úteis

Museu Torres García

Fanpage do Museu Torres García

Arquivo Joaquín Torres García

Sobre “Escuela del Sur”

Centre Pompidou

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