Cara ou coroa? Dois relatos de viagem de carro pelo Paraguai

As blogueiras que coordenam o Vagareio foram de carro para a capital do Paraguai em ocasiões e rotas diferentes. Uma viagem em janeiro de 2013, partindo de Guaíra, outra em maio de 2015, com saída de Foz do Iguaçu. Cara, coroa. Com diversos relatos de corrupção policial, as roadtrips pela América do Sul parecem mesmo questão de sorte. Confira a seguir um relato positivo e outro negativo de como foi a travessia do Brasil para a capital do nosso país vizinho.

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Câmbio e o bolso repleto de guaranis | Foto Francielli Campiolo

Parte 1|Francielli: A sorte de uma viagem tranquila

A proximidade com o Paraná, além do custo baixo, foram o pontapé inicial para planejarmos (eu e o namorado) uma viagem de carro rumo ao Paraguai. E assim fomos, sem pressa, horários predeterminados, reservas em hotel e guaranis. Uma viagem de oito dias cheia de descobertas pelo lado de lá. A ideia era entrar no país por Salto del Guairá/Guaíra e retornar ao Brasil por Ciudad del Este/Foz do Iguaçu.

Assunción está a cerca de 450 km de Salto del Guairá, onde nós paranaenses do Norte passamos boa parte da vida indo e vindo para fazer compras. Dali em diante, seria território desconhecido. O que sabíamos é que deveríamos estar sempre com o farol aceso e toda a documentação do veículo e condutores. Andamos 15 km e o primeiro policial nos parou, pediu o documento do carro e o cartão da imigração que não tínhamos. Voltamos para Salto del Guairá e solicitamos o documento, que constava o período em que iríamos estar em solo paraguaio.

Com tudo em mãos, seguimos viagem novamente e não nos pararam mais nenhuma vez. O ritmo era lento, pois respeitávamos o limite de velocidade das placas que nunca passava dos 80 km/h. Para conseguirmos os primeiros guaranis, fizemos “câmbio” em um dos postos de gasolina. É fundamental levar dinheiro em espécie para quitar os pedágios, que aceitam apenas a moeda nacional. Mas, por segurança e economia, já troque na fronteira.

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Rodovias tranquilas e veículos duvidosos | Foto Guilherme Phillippe

A estrada é “reto toda a vida” e é comum ver motocicletas trafegando pelo acostamento, com mais pessoas do que comportam, ou ainda quem arrisque a vida com metade do corpo para fora da porta do ônibus. Há várias casinhas pelo caminho para homenagear as pessoas que perderam a vida nas estradas, o que nos lembrava de que, mesmo sem curvas, a rodovia era perigosa.

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A cada detalhe da estrada, uma parada | Foto Guilherme Phillippe

As cidades pelas quais passamos são pequenas e não encontramos muito mais do que água e salgadinhos Elma Chips para comprar. O divertido mesmo era parar no acostamento e pegar manga na estrada. Assim, matávamos a sede e a fome de uma vez só. Em janeiro, época da nossa viagem, é muito quente. A temperatura média no Paraguai é de 30º C e, sem chuva, tem-se que dar um jeito de se refrescar.

Após 4 dias em Assunción, seguimos para Encarnación, no Sul do país, para conhecermos as ruínas jesuíticas. Depois de 3 dias, retornamos ao Paraná cruzando a fronteira com Foz do Iguaçu, onde devolvemos o nosso cartão da imigração e voltamos para casa com a mesma tranquilidade com a qual botamos o pé na estrada.

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Oito dias de sol e descobertas no Paraguai | Francielli Campiolo

Parte 2|Scheyla: Uma travessia azarada no mês de maio

Quatro amigos (eu, Beto, Mari e Fernando) rumo a um “baile em Assuncíon, capital del Paraguai”. Animados, pero no mucho, afinal, viajar de carro pela América do Sul poderia ser mais simples, mas a dificuldade já começa por sermos o único país que fala português num território habitado pela língua espanhola, não é mesmo? Além disso, sempre pairam as dúvidas a respeito da confiabilidade na polícia, tendo em vista que existem muitos relatos sobre corrupção nas estradas. Para não dar margem ao azar, nós pesquisamos bastante e nos preparamos para a aventura. Levamos o dobro de tudo, como garantia. Check list:

  • Carta verde ok
  • Kit de primeiros socorros ok
  • Dois triângulos ok
  • Duas cordas (?) ok
  • Documentos pessoais ok
  • Documentos de imigração ok

Era apenas uma viagem de dois dias e, com tantas regras, pensaríamos que o trânsito seria muito bem organizado. Todavia, na estrada as ultrapassagens eram malucas, os motociclistas andavam sem capacete pelo acostamento e alguns veículos com peças caindo trafegavam tranquilamente. O detalhe é que todos aqueles não eram condutores brasileiros. Nós éramos, e isso parecia motivo de sobra para estarmos em uma fria. 

Também vislumbramos várias vilas, sempre seguidas de uma quadra de vôlei e algumas vaquinhas amarradas e pastando perto do asfalto. Parece que elas mantêm as margens limpas. Passamos por vários municípios pequenos, como Caaguazú, Cel. Oviedo e San Lorenzo. Na paisagem bucólica e rural, tudo parecia tranquilo. O problema foram as “pedras” no meio do caminho.

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Depois de quatro paradas na estrada, chegamos a tempo de ver o sol se despedir de Assunción | Foto Scheyla Horst

Paramos a pedido de policiais quatro vezes entre Ciudad del Este (fronteira com Foz do Iguaçu) e Assuncíon, em uma distância de 325 quilômetros. Ou seja: uma intervenção a cada 81 quilômetros. Por três vezes, o atendimento foi até tranquilo, pois paramos em blitz oficiais realizadas em frente a postos identificados. Conferiram nossos documentos e nos liberaram. Quando estávamos quase lá, porém, faltou pouco para não voltarmos.

Uma caminhonete da Polícia Nacional estava paradinha no acostamento da rodovia. “Estranho”, pensamos. Assim que nos viram passar, as autoridades nos seguiram e, pouco tempo depois, nos ultrapassaram e solicitaram que parássemos. Dois policiais atrapalhados, que falavam rapidamente, começaram a questionar a respeito dos documentos. Depois que mostramos tudo e que não havia nada a acrescentar, apelaram para a necessidade de uma carteira internacional de imunização, a qual, vocês podem imaginar, não tínhamos.

Ao percebermos que eles queriam algum dinheiro para nos liberar, começamos a falar que não estávamos entendendo o que desejavam e que voltaríamos para casa, se fosse o caso, embora fosse uma sacanagem que ninguém até aquele momento tivesse nos alertado sobre isso. Eles viram que não cederíamos e desistiram de insistir. Por fim, falaram que “fariam o favor” de nos deixar seguir. Agradecemos e partimos rumo à capital paraguaia, que estava próxima.

Essa experiência com os policiais da rodovia nos marcou negativamente, pois parecia que a qualquer momento uma sirene gritaria atrás de nós, ou um guarda faria sinal para que estacionássemos o carro. A dificuldade com a língua, a insegurança de ter algum documento confiscado, ou receber multas infundadas eram constantes. Dois dias depois, no retorno para o Brasil, estava chovendo muito e não fomos interrompidos nenhuma vez.

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No retorno para o Brasil, tempestade garantiu viagem sem blitz | Foto Scheyla Horst

De tudo isso, ficamos com apenas uma certeza: se algum dia precisarmos voltar para Assuncíon, iremos de ônibus ou de avião.

E você, tem alguma experiência em estradas paraguaias para compartilhar? Nós sabemos bem que é preciso contar com a sorte. Fique de olho no Vagareio que logo mais iremos publicar relatos do nosso roteiro por Assunción e Encarnación.

Links úteis

Aeroporto de Assunción

Associação Paraguaia de Agências de Viagens e Empresas de Turismo

Secretaria Nacional de Turismo – Paraguai

Portal Paraguay

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