Paisagem bucólica no caminho de trem rumo a Morretes

Nós estávamos entusiasmados por andar de trem e sentir toda aquela nostalgia. O ar era de novidade e, a cada apito, nossos corações palpitavam mais forte. No banco ao lado dos nossos, duas turistas mexicanas começaram a dormir depois de 15 minutos de viagem. Ficamos indignados! Como assim? Dormir no passeio? Depois de uma hora, porém, cochilamos sem querer. É que o embalo lento do trem é muito relaxante, tendo em vista que a velocidade não ultrapassa os 25 km/h, um impacto expressivo em pessoas que vivem em uma sociedade em constante movimento. Aprendemos que no trem precisamos desaprender nosso ritmo. Só assim conseguimos apreender os sons, observar os detalhes que se apresentam no verde que colore o caminho. Fechando nossos olhos abrimos a alma para uma experiência bucólica e inesquecível, que nos dá frio na barriga quando miramos da janela e nos vemos percorrendo o abismo da imensidão.

 

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Todos querem ver o tempo passando devagar | Foto: Scheyla Horst

O frio começa a dar as caras com mais insistência e talvez seja uma boa hora para realizar o passeio de trem pela Serra do Mar do Paraná. É que a paisagem fica ainda mais bonita com as baixas temperaturas e a névoa intimista, fatores que, na parada final, nos incentivam a saborear a tradição gastronômica do Litoral: o barreado, um prato intenso feito de carne.

É possível acessar o trem na Rodoferroviária de Curitiba, capital do Estado, rumo ao município de Morretes. A estação ferroviária fica nos fundos do local onde pegamos ônibus, por isso bastante gente não conhece. Existem várias classes de passagens, dependendo da comodidade esperada pelo passageiro. A operadora de turismo responsável é a Serra Verde Express, que mantém um endereço eletrônico onde é possível consultar horários e tarifas.

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A classe turística possui acentos estofados | Foto: Scheyla Horst

Entre as opções “econômica, turística, executiva e vagão camarote”, escolhemos a turística, que tem acentos estofados e suficientemente confortáveis para a viagem. No dia em que fizemos o passeio, havia uma expressiva quantidade de turistas, muitos estrangeiros, que se aglomeravam frente aos portões de embarque com pontualidade. Partimos às 8h30. O atendimento da equipe é cordial e recebemos lanchinho caso a fome bata nas três horas de duração do trajeto, que percorre apenas uns 70 quilômetros. É que a velocidade do meio de transporte, você deve imaginar, não pode ultrapassar os 25 km/h, e ocorrem paradas pelo caminho.

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Uma parada é na Estação Marumbi, procurada por quem quer escalar o pico | Foto: Scheyla Horst

Guias vão explicando os pontos mais interessantes do percurso, com dados a respeito das formações rochosas, construções, histórico dos trilhos, curiosidades… Afinal, percorremos uma obra que se constitui como um extraordinário feito da engenharia do século 19. Claro que no meio da travessia os funcionários também tentam vender souvenirs, fazer fotos dos passageiros etc. Enfim, aquilo que se tem de sobra em roteiros turísticos e que às vezes nos chateia.  (Temo que nunca vou me esquecer da moça ressaltando que a fotografia impressa ali mesmo era em “papel glossy”, super durável. Ela repetiu isso várias vezes!).

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Uma das vistas mais incríveis é a da “Garganta do Diabo” | Foto: Scheyla Horst

Na chegada, o barreado

Logo que desembarcamos do trem em Morretes, perto do horário do almoço, brotam convites para que conheçamos este ou aquele restaurante. Os informantes tentam fazer uma apresentação dos diferenciais dos estabelecimentos que representam e acabamos sendo levados por eles. Por isso, é legal pesquisar com antecedência um lugar que seja bem avaliado, a fim de não cair em uma cilada.

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Desembarque em Morretes ocorre três horas após partida de Curitiba| Foto: Scheyla Horst

Em comum, os restaurantes oferecem como carro-chefe o barreado, que é o prato típico do Litoral paranaense. Trata-se da soma de carnes bovinas temperadas e cozidas por muitas horas, até desmanchar. Usa-se cebola, alho, pimenta, louro e cominho para dar o toque especial. A carne é misturada com farinha de mandioca até alcançar a consistência boa que não “cai do prato”, como os garçons farão questão de mostrar virando o prato sobre a sua cabeça (isso mesmo!). Serve-se com arroz e banana-da-terra em fatias, cozidas ou fritas. É bem gostoso, embora seja forte e sustente por várias horas.

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Refeição para fortes: Barreado + acompanhamentos diante da vista do Rio Nhundiaquara | Foto: Scheyla Horst

Cidade sobre duas rodas

Há várias belezas para conhecer em Morretes: o centro histórico que data de 1820, a bela vista dos morros que circundam a cidade, o rio Nhundiaquara, cafés, museus… O Pico do Marumbi, onde o trem para antes de chegar ao município, possui 1.539 metros de altura e é um dos maiores do Paraná.

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Bicicleta é meio de transporte popular em Morretes | Foto: Scheyla Horst

Toquinho deve ter se inspirado em Morretes quando escreveu aquela música em homenagem às bicicletas. A planície e tranquilidade da cidade favorecem o uso de bicicletas para ir de cá para lá. Muita gente anda de bike: sozinho, acompanhado, mas sempre com tranquilidade. Há vários bicicletários espalhados pelas ruas e é bonito ver esse movimento sustentável. Impossível não fazer uma outra fotografia de cenas que se apresentam diante dos nossos olhos, naquelas ruas históricas com casarões antigos ao fundo. Parece cena de filme de outra época.

Links úteis

Site da Serra Verde Express 

Site da Prefeitura de Morretes

Site do Estado do Paraná 

 

 

 

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